O mercado de capitais vive um período de profundas transformações, o conceito de RI moderno está transformando a comunicação no mercado de capitais. A área de Relações com Investidores, que durante muito tempo foi vista apenas como espaço de divulgação de resultados, hoje é considerada estratégica. Mais do que números, o RI moderno entrega narrativa, reputação e confiança para companhias que desejam se posicionar de forma sólida diante de investidores, analistas, imprensa e sociedade.
Foi dentro desse contexto que o IR Talks, talk show da MZ em parceria com o Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (IBRI), recebeu em 04 de agosto de 2025 o executivo Esteban Angeletti, Diretor de Relações com Investidores e Finanças Corporativas da Randoncorp. Em conversa com Cássio Rufino, COO da MZ, Esteban compartilhou sua trajetória e explicou por que considera clareza, alinhamento e humanização os pilares do RI contemporâneo.
Uma carreira moldada por estratégia e disciplina
Esteban tem uma trajetória que mistura auditoria, planejamento estratégico e experiências em startups do Vale do Silício. Essa diversidade o levou a enxergar a área de Relações com Investidores como um ponto de conexão entre múltiplas áreas da companhia.
Nas suas palavras: “A gente não faz nada sozinho. A gente precisa de time, e quando eu falo time, é o time expandido. A gente precisa da controladoria, da contabilidade, do jurídico, de marca e reputação, de compliance. É uma combinação de esforços onde a gente é só a ponta para o mercado.”
Essa visão de RI como um elo transversal reflete a maturidade das companhias que entendem que reputação e governança são ativos estratégicos.
Mas a história de Esteban não se limita ao mundo corporativo. O esporte também ocupa papel central em sua trajetória. Ele contou como a prática do triatlo e a participação em provas de Ironman impactaram sua forma de atuar.
“O esporte me ajuda a ter três coisas que eu acho que são fundamentais para a vida pessoal e profissional, que é a disciplina, o planejamento e a organização.”
Para ele, a mesma disciplina que move um atleta de alta performance é a que sustenta o profissional de RI diante das pressões do mercado de capitais.
Competências inegociáveis no RI
Durante a entrevista, Esteban foi claro ao listar os atributos que considera indispensáveis para quem atua com investidores: “Credibilidade, disponibilidade e ética profissional.”
E completou: “A gente tem que ter consciência da responsabilidade do nosso trabalho e como isso impacta não só a companhia, mas também como impacta acionistas, mercado e sociedade.”
Essas competências não são apenas qualidades individuais, mas fundamentos de governança e confiança. Credibilidade garante que o investidor enxergue solidez. Disponibilidade mostra abertura ao diálogo. Ética sustenta a reputação de longo prazo.
Narrativa alinhada e coerente
Outro ponto abordado foi a importância de construir mensagens consistentes. Esteban lembrou que, ao preparar um evento ou reunião com investidores, o ponto de partida deve ser sempre a pergunta: “Toda vez que a gente vai preparar um encontro com investidores, um evento com investidores, a gente parte de: qual é a mensagem que a gente quer passar para o mercado?”
Esse olhar reforça que o RI não se limita a transmitir números. É necessário estruturar narrativas que traduzam a estratégia da companhia e que estejam alinhadas à realidade do negócio.
Investor Day como ativo estratégico
No bate-papo, Esteban destacou que o Investor Day é um dos momentos mais importantes do calendário de RI. Mais do que um evento, é um ativo intangível que reforça reputação, amplia cobertura de analistas e projeta a imagem da companhia no mercado de capitais. Um Investor Day bem estruturado exige planejamento, envolvimento da alta liderança e clareza na comunicação com stakeholders.
Escuta ativa: a chave para o relacionamento
A comunicação de mão dupla foi outro tema enfatizado. Esteban defendeu que, antes de qualquer discurso, é essencial ouvir. “O segredo para começar bem uma reunião é identificar com quem você está conversando.”
Esse cuidado evita cair na tentação de apenas confirmar expectativas. Ele alerta: “Se a gente só fala o que o investidor quer ouvir, ele nunca vai reenxergar o real valor da companhia.”
Aqui está um ponto crucial para o RI moderno: não basta atender ao mercado. É preciso educar, alinhar percepções e construir confiança em torno da estratégia real da empresa.
KPIs e métricas para alinhar percepções
Em sua fala, Esteban também abordou o papel dos indicadores. Para ele, o principal KPI da área não é apenas quantitativo, mas de percepção: “O principal KPI para nós é tentar relacionar como o mercado enxerga a empresa e como a empresa se enxerga. Quanto menor for esse gap, melhor a gente está fazendo esse trabalho.”
Esse olhar evidencia que a área de RI não deve se restringir a relatórios. É sobre percepção de valor. Quanto mais alinhada estiver a visão do mercado com a realidade da companhia, mais consistente será a reputação construída.
Ele também falou sobre a preparação para os calls de resultados: “Os números, todo mundo tem acesso. Agora, explicar os números e o que está por trás da nossa estratégia, essa é a nossa função.”
Aprendizados pessoais aplicados ao mercado
Esteban compartilhou um episódio que marcou sua vida. Após uma reunião frustrante, se deparou com a oração da serenidade. “Fechei uma reunião bastante frustrado e apareceu na minha frente, por coincidência, uma oração da serenidade. Ela dizia: ‘que Deus me dê a serenidade para aceitar aquelas coisas que eu não posso mudar, a coragem para mudar aquelas que eu posso, e a sabedoria para saber a diferença.’ Isso virou um mantra pra mim.”
Essa filosofia se conecta ao dia a dia de RI, em que é necessário lidar com fatores externos, como conjuntura econômica ou cenário político, sem perder o foco naquilo que pode ser transformado internamente.
Recomendações para profissionais de RI
Com humildade e franqueza, Esteban também deixou dicas práticas para quem atua ou deseja ingressar na área: “Autoconhecimento, direção e disciplina.”
E foi além: “Tenha um time bom, crie um ambiente de confiança e vá além do seu time. Vá para a unidade de negócio, visite a fábrica, fale com o cliente, fale com o fornecedor. Não tem como ser estratégico sentado na sua cadeira.”
Essas palavras resumem a essência de um RI estratégico: conexão real com o negócio, proximidade com diferentes áreas e capacidade de traduzir toda essa vivência em narrativa para o mercado de capitais.
Ferramentas digitais no relacionamento com investidores
Esteban destacou ainda o papel do site de Relações com Investidores como ferramenta central de comunicação. Mais do que cumprir exigências regulatórias, ele deve ser usado como canal ativo de engajamento, transparência e confiança.
Também mencionou a importância das redes sociais no relacionamento com stakeholders. Plataformas digitais ampliam a capacidade de diálogo, mas exigem consistência, clareza e responsabilidade. Quando bem utilizadas, tornam-se aliadas estratégicas da governança e da reputação corporativa.
Clareza, alinhamento e humanização: o futuro do RI
No encerramento, Esteban sintetizou sua visão sobre o RI moderno. Clareza para comunicar de forma simples e direta. Alinhamento entre discurso e realidade para evitar contradições. Humanização para lembrar que, por trás de cada investidor, há pessoas que desejam entender o valor real das companhias.
Esses três pilares são, segundo ele, a base para um RI que não apenas informa, mas também inspira confiança e fortalece a reputação no mercado de capitais.
Conclusão
O episódio do IR Talks com Esteban Angeletti reforça que Relações com Investidores não é apenas sobre relatórios. É sobre estratégia, reputação e confiança. A disciplina adquirida no esporte, a prática da escuta ativa e a defesa inegociável da credibilidade mostram como o profissional de RI deve atuar no mercado de capitais.
Mais que técnica, é preciso clareza, alinhamento e humanização. É isso que transforma o RI em protagonista da narrativa corporativa e em guardião da reputação no mercado.
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