Estratégia em RI para small caps: o caso Ser Educacional

Rodrigo Alves fala sobre estratégia em RI para small capsA estratégia em RI para small caps apresenta desafios únicos, que vão desde a visibilidade reduzida até a necessidade de construir governança com poucos recursos. Foi sobre esse tema que Rodrigo Alves, Diretor de RI, Planejamento e M&A da Ser Educacional, conversou no IR Talks da MZ. O programa, com apoio do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (IBRI), foi transmitido em 1º de setembro às 11h, e está disponível no Portal da MZ.

O papel do RI diante de um mercado mais exigente

O cargo de Relações com Investidores passou por uma transformação profunda nos últimos anos, especialmente com o avanço da regulação e o amadurecimento do mercado de capitais. Rodrigo Alves viveu essa mudança de perto.

“Hoje as regulações são muito mais apertadas. O RI passou a ser uma função mais estatutária do que era antes. E isso tem um lado positivo, mas também engessa demais. Quando o relacionamento com o investidor vira algo formal demais, você perde espaço de diálogo. E o investidor, embora seja sócio, é minoritário na maioria das vezes. Exige sensibilidade”, comentou.

Como construir governança e clareza com poucos recursos

Rodrigo comanda uma estrutura extremamente enxuta. A área de RI da Ser conta apenas com ele e um gerente. A operação é sustentada com apoio da MZ, que participa ativamente das entregas e divulgações.

“Sou eu e um gerente. Todo o resto da atividade é feito com o time da MZ. É um trabalho conjunto, e não tenho problema em dizer que metade da área de RI é MZ.”

Alinhamento interno e documentação inteligente

Um dos pontos-chave que Rodrigo destaca é a organização da comunicação com o mercado a partir de um “deck de informações”, um conjunto de conteúdos que são atualizados de forma recorrente.

“Você senta com as áreas, decide o que é relevante divulgar e garante que isso esteja refletido no Formulário de Referência. Porque a maioria dos investidores não lê o formulário inteiro. Se ele estiver atualizado com o que você realmente quer comunicar, ele vira um instrumento de apoio muito forte.”

Esse processo, alinhar narrativa, atualizar documentos regulatórios e incorporar feedback do mercado, é um dos pilares de um RI mais estratégico para small caps, especialmente em companhias de menor porte.

O RI também é planejamento (e precisa entender o negócio)

Rodrigo acumula outras áreas além do RI: é também responsável por M&A e planejamento estratégico. “Hoje, o planejamento me toma mais tempo. O setor muda muito. E o planejamento exige um trabalho parecido com o RI: você fala com todo mundo, alinha, convence, apresenta para o conselho.”

Ter outras áreas, segundo ele, fortalece o olhar do RI: “É fundamental. Você entende melhor as dores dos executivos e começa a se relacionar de igual para igual.”

Estudar o setor, ser questionador, entender os ciclos

Ser estratégico, para Rodrigo, é entender profundamente o setor. Em sua passagem pela Gol, ele chegou a debater aviação com especialistas de mais de 20 anos na área. “Você só vira estratégico quando domina o setor. Enquanto isso não acontece, você é apenas um canal de transmissão.”

Ele também defende que o RI atue como um “questionador interno”. “O RI tem que ser chato no bom sentido. Tem que mostrar que o concorrente faz melhor, sim, e ajudar a melhorar. Isso exige tato, porque você não pode parecer desagregador. Mas a empresa cresce com esse tipo de provocação.”

KPIs, sensibilidade de mercado e uso inteligente do orçamento

Um dos trechos mais marcantes da conversa trata dos KPIs e do momento de mercado. Rodrigo defende que a sensibilidade seja a bússola do RI.

“A gente olha valuation relativo, desempenho financeiro e momento de mercado. Mas o mais importante é entender quando o investidor quer ou não ser acessado.”

Ele cita como exemplo um mercado em retração, com fundos sofrendo resgates: “Não adianta ir atrás de fundo que está perdendo cotista. Seu discurso vai bater em quem está tentando apagar incêndio.” Essa sensibilidade ajuda a aplicar melhor o orçamento, geralmente limitado, da área de RI.

Nas entrevistas que a MZ realizou durante o Encontro Internacional de Relações com Investidores, André de Teive, Especialista de RI da Solar Coca-Cola, também falou sobre a importância do acompanhamento das métricas e comentou sobre KPIs de RI, mostrando como ciclos e timing afetam decisões estratégicas.

A dor das small caps: visibilidade e liquidez

Estar listado não é sinônimo de visibilidade. No caso das small caps, o desafio é fazer a companhia aparecer para o investidor certo, e isso nem sempre é simples.

“O maior desafio é aparecer para o investidor que pode investir em você. Tem muita corretora, muito evento, muita concorrência por atenção.”

Rodrigo busca esse investidor por meio de pesquisas ativas, análise de bases acionárias dos pares e identificação de fundos compatíveis com a liquidez da Ser.

“Não adianta querer falar com fundo que exige liquidez de 20 milhões de dólares por dia, se você negocia dois ou três. Mas é bom manter a relação. Um dia você pode crescer e estar pronto.”

Relacionamento direto, site estratégico e posicionamento visual

Rodrigo valoriza o contato direto com analistas e fundos. Quando a companhia tem novidades, ele envia mensagens personalizadas e monitora as reações.

“É como um trabalho comercial. Você sente o termômetro do outro lado. Se ele não está receptivo, você dá uma pausa. E quando surgir algo realmente relevante, você volta.”

Esse cuidado também se aplica à comunicação visual. O site de RI da Ser Educacional foi planejado para transmitir sobriedade e confiança, com foco no longo prazo.

“O site reflete o momento da companhia. Quando o redesign foi feito, a gente estava num processo de reorganização. Agora que estamos crescendo, com foco em saúde e medicina, talvez esteja na hora de mudar de novo.”

Esse entendimento de que o site é um espelho da estratégia é um diferencial, e mostra maturidade em design institucional. Rodrigo inclusive comenta que aprendeu a importância disso com Rodolfo Zabisky, fundador da MZ.

Saiba mais sobre como a MZ apoia companhias na construção de websites de RI estratégicos.

Calls mais objetivos, sem enrolação

Outro ponto de destaque é o cuidado com o formato dos calls de resultados. Rodrigo é defensor de reuniões mais enxutas, com no máximo uma hora.

“Se o analista entrou no call, ele já leu o release. Não precisa repetir tudo. Eu foco em 20 minutos de apresentação e 30 minutos de Q&A.”

Ele também elogia a experiência com o time da MZ, que operacionaliza os calls com estabilidade e recursos como transmissão simultânea e YouTube. A forma como a Ser conduz seus calls reflete boas práticas destacadas no guia da MZ sobre engajamento em teleconferências.

Estudos de percepção e feedback informal

Embora não realize estudos de percepção com frequência, Rodrigo capta feedback de forma contínua. “No fim da reunião, eu pergunto o que acharam. Anoto. E, se possível, aplico. Se o analista percebe que a empresa mudou algo com base no que ele falou, o relacionamento vira outro.”

Ele reconhece que estudos mais formais fazem sentido para companhias maiores, mas que nas small caps, escutar com atenção no dia a dia é tão importante quanto.

Reuniões públicas nem sempre são a melhor estratégia

Rodrigo traz uma visão pragmática sobre reuniões públicas e Investor Days. Ele reconhece que não existe uma resposta universal, tudo depende do objetivo da companhia, do momento em que ela está e do público que deseja atingir.

“A reunião pública tem que atingir algum objetivo. […] No nosso caso, hoje, reuniões públicas não fazem muito sentido.”

A Ser Educacional opta por não realizar eventos amplos neste momento e foca em interações mais personalizadas, como visitas às unidades e calls de resultado mais estratégicos. Essa decisão mostra maturidade e uma leitura clara de que exposição sem propósito não gera valor.

Recado final aos RIs que atuam em small caps

Rodrigo encerra sua participação no IR Talks com um conselho direto e valioso, principalmente para quem atua em companhias menores:

“Se cerque de gente boa. […] Entender o ambiente da empresa, entender os objetivos […] com gente boa e de confiança do seu lado, aí é sucesso.”

Mais do que tentar fazer tudo, o segredo está em saber o que faz sentido naquele momento para a companhia, e fazer bem-feito. Com orçamentos mais limitados, a clareza estratégica, o relacionamento interno e a confiança nos parceiros se tornam diferenciais reais.

Ele reforça que o RI não precisa ser o herói solitário, mas sim um conector inteligente, que entende o ciclo da companhia e se antecipa ao mercado.

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