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Sandra Calcado, da Log-In, e o RI que ajuda a construir a estratégia

Sandra Calcado, da Log-In, e o RI que ajuda a construir a estratégia

A MZ, com apoio do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (IBRI), abriu a quinta temporada do IR Talks, o talk show dos profissionais de Relações com Investidores do Brasil. Conduzido por Cássio Rufino, sócio executivo, CMO e COO da MZ, o primeiro episódio da temporada recebeu Sandra Calcado, Head de Planejamento Estratégico, Relações com Investidores e ESG da Log-In Logística, para uma conversa sobre carreira, o desafio do “dia seguinte” ao IPO, cultura de companhia aberta, conhecimento do negócio, sustentabilidade, inteligência artificial e o papel do RI na construção da estratégia.

Com mais de 20 anos de experiência, Sandra construiu sua carreira em empresas como Shell, PetroRio, Queiroz Galvão e Wilson Sons, além de uma longa atuação no mercado de capitais. Engenheira de produção, fez mestrado em Administração de Empresas e cursou as disciplinas de um doutorado executivo. Na época do vestibular, foi aprovada em Medicina e em Engenharia de Produção em universidades públicas e optou pela engenharia, escolha que define como um “acidente planejado”.

O sonho inicial era trabalhar em chão de fábrica. No estágio da Shell, porém, foi direcionada para o planejamento financeiro e, depois, para o planejamento estratégico, e acabou se encontrando na área de finanças.

Mais tarde, foi para a Wilson Sons, onde atuou por cerca de seis a sete anos em FP&A. Na época, a companhia era listada apenas em Londres, com baixa liquidez e pouca interação com o mercado. Com o IPO no Brasil, na onda de mais de 60 ofertas entre 2006 e 2007, Sandra fez a transição natural do planejamento financeiro para Relações com Investidores.

RI: os problemas são os mesmos, só mudam de endereço

Sandra lembrou que chegou ao RI sem conhecer a área. Para se preparar, fez benchmarks com apoio da MZ, que já assessorava a Wilson Sons, e conversou com profissionais experientes do setor em São Paulo.

Dessas conversas, saiu com duas grandes verdades. A primeira é que, em RI, os problemas são os mesmos, só mudam de endereço. Os desafios de uma companhia gigante e de uma empresa com poucas centenas de funcionários são muito parecidos, e a troca de experiências com outros profissionais é facilitada pelo fato de as companhias abertas serem públicas e acessíveis.

A segunda é que RI não é um bicho de sete cabeças. Problemas complexos aparecem, mas podem ser divididos em partes menores, todas solucionáveis.

Ela acrescentou ainda uma constatação: a formação acadêmica e os cursos ajudam, mas não substituem a vivência na cultura da companhia, o contato com as pessoas e o conhecimento do negócio.

O maior desafio começa no dia seguinte ao IPO

Para Sandra, uma empresa em processo de IPO vive no centro das atenções até a liquidação da oferta. Nesse período, o RI conta com bancos, advogados, analistas e assessores oferecendo suporte praticamente em tempo integral.

Sem subestimar o tamanho desse trabalho, que envolve a companhia inteira, ela destacou que o maior desafio começa no dia seguinte, quando essa estrutura de apoio deixa de existir. O RI precisa “ligar a chavinha” depois do dia zero.

Nesse momento, a primeira competência é a humildade para ouvir. Mesmo bem preparado, o profissional precisa entender o contexto da companhia e reconhecer que grande parte dos colaboradores nunca trabalhou em uma empresa listada.

Cultura de companhia aberta se constrói dentro de casa

Segundo Sandra, uma área de RI pode ter equipe, orçamento, ferramentas e planejamento ideais e, ainda assim, deixar de fazer o trabalho mais importante: preparar toda a organização para o novo ambiente e criar a cultura de companhia listada.

Isso significa explicar o que muda, tranquilizar as pessoas e mostrar que quem faz um bom trabalho continuará fazendo um bom trabalho, agora com novos cuidados no relacionamento, na segurança da informação e no tratamento de assuntos sensíveis.

Para ilustrar, ela usou um exemplo hipotético da Log-In. Trocar a cor da pintura dos navios não teria impacto para o investidor. Já adotar uma tinta capaz de reduzir em 10% o consumo de combustível, principal item da matriz de custos, poderia configurar um fato relevante.

Por isso, não se trata de uma ciência exata. Capacitar profissionais com 20 ou 30 anos de experiência, mas que nunca atuaram em uma companhia aberta, é um dos desafios mais importantes e gratificantes da função.

Conhecer o negócio exige ir até a ponta

Sandra considera o conhecimento profundo do negócio um dos desafios mais subestimados pelos RIs. Estudar materiais e trocar informações internamente não basta: é preciso ir até a ponta e conversar com quem faz a operação acontecer.

Isso inclui falar com quem faz a manutenção dos contêineres, com quem navega pela costa brasileira, com quem trabalha no terminal ou com quem transporta a carga até o cliente final. Quando a visita presencial não é viável, a recomendação é colocar essa conversa na agenda.

Ela contou que, com cerca de um mês de Wilson Sons, foi ao porto de Salvador perto da meia-noite para embarcar em um navio de longo curso e entender, na prática, o que a companhia vendia e reportava. A experiência tornou muito mais concreto aquilo que ela precisava explicar ao mercado.

O RI não precisa saber tanto quanto quem está há décadas na operação, mas precisa compreender os impactos de cada situação no resultado. Muitas vezes, os principais vetores de crescimento só ficam claros na conversa com quem negocia o preço na ponta.

Comunicação interna exige empatia e visão do todo

Sandra relacionou a comunicação ao sentido literal de empatia: colocar-se no lugar do outro. No início da carreira, admite que tratava as demandas regulatórias como prioridade absoluta, sem considerar a realidade das demais áreas.

Ela citou como exemplo um relatório que pode ser entregue em três horas e um navio parado no porto, com clientes, tripulação e janelas de atracação à espera. Nesse caso, a prioridade é evidente.

Tempestividade, transparência e governança continuam essenciais, mas o RI precisa enxergar a companhia de forma holística. Conhecer o negócio torna esse equilíbrio muito mais natural.

Finanças e negócio formam a base do dia a dia

Para atuar bem no dia a dia, o RI precisa de conhecimento técnico em finanças e planejamento estratégico, além de compreender os rumos da companhia, os cenários de execução, a composição do resultado e o que sustenta o modelo de negócio.

Também é fundamental estar próximo da contabilidade, do jurídico, da comunicação, da assessoria de imprensa, da área institucional, das entidades de classe e dos órgãos reguladores, sem perder de vista o ambiente externo e os movimentos geopolíticos que podem afetar a companhia.

Se tivesse de resumir em dois pontos, Sandra escolheria conhecimento em finanças e conhecimento do negócio.

Estratégia, RI e ESG caminham juntos

Na Log-In, Sandra responde por Planejamento Estratégico, Relações com Investidores e ESG, áreas que, quando bem desenvolvidas, estão profundamente conectadas. O planejamento estratégico é o fio condutor que mostra como a companhia vai sustentar sua existência no futuro.

A sustentabilidade, segundo ela, faz parte do DNA da Log-In. A navegação de cabotagem pode reduzir as emissões em até 80% em comparação ao modal rodoviário. Um único navio substitui centenas ou milhares de caminhões, tornando o transporte mais limpo, eficiente, previsível e seguro, além de ajudar os clientes a reduzir suas emissões de escopo 3.

Para Sandra, sustentabilidade não é abraçar árvore nem tirar uma foto bonita. É estratégia, com metas, planejamento, agenda e metodologia. Na Log-In, a agenda ESG é revisitada a cada três anos, prioriza os temas mais materiais, está ligada aos ODS da ONU e é integrada ao planejamento estratégico, de forma que a visão de longo prazo se reflita nas ações de curto e médio prazo.

Nesse modelo, o RI atua como o elo que faz essa agenda funcionar dentro da companhia e a traduz para o mercado.

Reporte integrado e padrões internacionais

Sandra contou que a Log-In produzia relatórios nos padrões GRI, SASB e TCFD, auditados por órgão independente. Em 2021, a MSC, maior empresa de navegação do mundo, adquiriu cerca de dois terços das ações da companhia e hoje detém quase 74%. Desde então, o relatório passou a ser integrado ao da controladora.

A companhia audita seus inventários de gases de efeito estufa há sete anos e começa a seguir as normas europeias de reporte de sustentabilidade (ESRS), além dos padrões do ISSB.

Autonomia e gestão do conhecimento sustentam a divulgação de resultados

Sobre a preparação para a divulgação de resultados e a teleconferência, Sandra destacou três pilares: equipe competente, capacitação contínua e autonomia. O processo segue um cronograma estruturado, com responsabilidades e prazos definidos, e hoje opera em “voo de cruzeiro”.

Ela afirmou que busca contratar pessoas que considera mais competentes do que ela, porque o crescimento do time também representa o seu crescimento.

Sandra relembrou ainda o período posterior à reestruturação da Log-In, quando o RI era visto como “patinho feio”. O desafio foi mudar essa percepção e posicionar a companhia como uma empresa em crescimento, que conta sua história com orgulho. Segundo ela, a Log-In realizou em 2020 a primeira AGO 100% virtual do Brasil e passou a se comunicar com investidores em português e inglês, com intérprete de Libras.

A inteligência artificial acelera o RI e todo o mercado

Na visão de Sandra, os valores do RI permanecem: tempestividade, transparência, uniformidade das informações, confidencialidade e governança. O que mudou foram as formas de chegar ao investidor.

Analistas e investidores chegam cada vez mais preparados, com acesso a dados secundários e ferramentas de IA. Minutos depois da divulgação, a inteligência artificial já é capaz de produzir um relatório sobre a companhia. Por isso, o RI precisa ser mais ágil, antecipar movimentos e ter humildade para reconhecer o que não sabe.

Cássio lembrou que, se a IA reduz o tempo dedicado aos processos, sobra mais espaço para análise e para uma atuação proativa, e não apenas reativa.

Na Log-In, a IA é uma pauta prioritária, impulsionada pelo próprio presidente da companhia. O uso, no entanto, segue um princípio inegociável: segurança é o principal valor da empresa, e iniciativas que esbarrem nesse ponto não seguem adiante.

Três recomendações para um RI estratégico

Ao final da conversa, Sandra deixou três recomendações para os profissionais que desejam crescer na carreira.

A primeira é ter humildade para ouvir, entendendo o que se sabe, o que não se sabe e buscando o que falta.

A segunda é investir em capacitação contínua: estudar finanças, tecnologia e ferramentas, conversar com outros profissionais e compreender que o trabalho do RI vai muito além da divulgação de resultados, das assembleias e dos formulários. Ele também está no que acontece entre esses momentos.

A terceira é conhecer o negócio, indo até a operação, mas também acompanhando o que acontece no mundo, como clientes e os clientes dos clientes podem impactar os resultados e de que forma questões geopolíticas afetam a companhia.

Considerações finais: o RI precisa ajudar a construir a estratégia

A participação de Sandra Calcado no IR Talks reforça que o profissional de Relações com Investidores não deve ser apenas o porta-voz da estratégia, mas um dos responsáveis por construí-la.

Para isso, precisa conhecer profundamente o negócio, dominar finanças, ouvir o mercado e levar essa inteligência para dentro da companhia.

O trabalho não termina no IPO nem na divulgação trimestral. Ele continua na construção de uma cultura de companhia aberta, na integração com as demais áreas e em uma agenda de sustentabilidade conectada à estratégia.

Em um mercado no qual a inteligência artificial acelera o acesso à informação para todos os públicos, humildade, capacitação e conhecimento do negócio seguem como a base para que o RI deixe de apenas divulgar e passe a construir percepção de valor.

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Marketing MZ
marketing@mzgroup.com | (11) 99419-3110

Cássio Rufino é sócio executivo, CMO e COO da MZ, empresa líder em soluções para relações com investidores. Graduado em Administração de Empresas pelo Mackenzie, possui pós-graduação em Finanças Corporativas pelo Insper e MBA Executivo em Finanças pela mesma instituição. É especialista em comunicação financeira e criador do método dos 3Cs, que já ajudou dezenas de RIs a gerar mais valor através da comunicação financeira.

Sobre a MZ
A MZ é líder global em soluções de comunicação para Relações com Investidores, transformando a forma como as empresas se conectam com seus públicos estratégicos. Por meio de tecnologia avançada e uma equipe altamente especializada, fornecemos as melhores ferramentas para fortalecer a transparência e a confiança das empresas junto aos investidores. Acreditamos que uma comunicação eficiente é a chave para a construção de relações duradouras e para o sucesso no mercado de capitais.

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