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Elisa Bastos de Lima, da Veste, fala sobre estratégia, comunicação, inteligência artificial e os desafios do profissional de RI moderno.

Elisa Bastos de Lima, da Veste, destaca estratégia, comunicação e domínio do negócio como pilares do RI moderno

A MZ, com apoio do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (IBRI), apresentou mais um episódio do IR Talks, o talk show dos profissionais de Relações com Investidores do Brasil. Conduzido por Cássio Rufino, sócio executivo e CMO da MZ, o programa recebeu Elisa Bastos de Lima, diretora Financeira e de Relações com Investidores da Veste, para uma conversa sobre carreira, narrativa financeira, preparação para resultados, redes sociais, inteligência artificial e o papel estratégico do RI dentro das companhias.

Formada em Ciências Econômicas pela Universidade de São Paulo e com MBA pela Harvard Business School, Elisa iniciou sua trajetória profissional no mercado financeiro e passou por empresas como Kraft, Heinz e Ambev. Foi durante sua experiência na Ambev que conheceu de perto a área de Relações com Investidores e percebeu a capacidade do RI de conectar estratégia, operação, finanças e comunicação.

Na Veste, Elisa iniciou sua atuação no planejamento financeiro e, em 2023, assumiu também a liderança de RI. Posteriormente, passou a ocupar a posição de diretora Financeira, ampliando sua atuação para áreas como tesouraria, tributário e demais frentes ligadas à gestão financeira da companhia.

RI exige uma visão completa da companhia

Durante a conversa, Elisa destacou que uma das principais características de Relações com Investidores é a necessidade de compreender a companhia como um todo. O profissional não pode conhecer apenas os números: precisa entender a estratégia, acompanhar a operação e saber como cada decisão influencia os resultados e a percepção do mercado.

Essa visão ampla, segundo a executiva, foi fundamental para sua trajetória até a posição de CFO. A experiência em RI contribuiu para que ela desenvolvesse uma compreensão mais integrada do negócio, além da capacidade de transformar assuntos complexos em mensagens claras para diferentes públicos.

Para Elisa, essa habilidade não se aplica apenas à comunicação externa. Dentro da própria companhia, o executivo também precisa traduzir temas técnicos para áreas que não possuem o mesmo nível de conhecimento sobre determinado assunto.

Comunicação como competência essencial

Outro ponto abordado no episódio foi a importância crescente da comunicação na formação dos profissionais. Para Elisa, saber se comunicar deixou de ser apenas uma habilidade complementar e passou a ser uma competência fundamental, independentemente da área de atuação.

Comunicar bem, porém, não significa necessariamente ser expansivo ou ter um perfil de palco. Cada profissional pode desenvolver essa capacidade respeitando sua própria personalidade. O mais importante é conseguir organizar o pensamento, adaptar a linguagem ao público e tornar uma informação complexa mais simples e compreensível.

No RI, essa competência aparece tanto nas reuniões com investidores e analistas quanto na construção de releases, apresentações, Q&As e demais materiais destinados ao mercado.

Autonomia responsável e confiança na equipe

Ao comentar sobre a rotina de quem lidera diferentes áreas, Elisa reforçou a importância de contar com uma equipe de confiança e estabelecer uma cultura de autonomia responsável.

Isso significa permitir que os profissionais tomem decisões e conduzam suas atividades, mas também garantir que saibam identificar os assuntos que precisam ser levados à liderança no momento correto.

A organização da agenda também acompanha as prioridades da companhia. Durante a temporada de resultados, por exemplo, o RI demanda uma dedicação maior. Já no período de elaboração do orçamento, o foco se desloca para planejamento financeiro.

Para Elisa, algumas atividades exigem concentração e espaço mental. Por isso, momentos como a revisão do release e a preparação da mensagem ao mercado precisam ser reservados de maneira intencional.

Resultado trimestral começa com domínio dos números

Na preparação para a divulgação de resultados, Elisa destacou que o primeiro passo é conhecer profundamente os números do trimestre e compreender como eles se conectam à estratégia de longo prazo da companhia.

A construção de um Q&A com possíveis perguntas e respostas é parte importante do processo, mas não substitui o conhecimento do negócio. O executivo precisa estar preparado para explicar os indicadores, contextualizar o desempenho e demonstrar como cada resultado se relaciona com os objetivos estratégicos da empresa.

Elisa também participa diretamente da construção do release, das apresentações e do discurso utilizado durante o call. Para ela, o envolvimento na elaboração dos materiais contribui para a assimilação das informações e aumenta a segurança durante a comunicação com o mercado.

Na Veste, os vídeos de resultados também ajudam a aproximar os investidores da realidade da companhia. Além dos números, os conteúdos apresentam campanhas, lojas, showrooms e elementos das marcas Le Lis, Dudalina, John John, BO.BÔ e Individual.

Recursos visuais ajudam a tornar o negócio tangível

Por atuar no setor de moda, a Veste utiliza imagens e vídeos para mostrar ao mercado aspectos que os números, isoladamente, não conseguem transmitir.

Nas reuniões com investidores, a companhia combina apresentações financeiras com conteúdos visuais das marcas, das lojas e das coleções. O objetivo é proporcionar uma compreensão mais completa sobre o negócio, especialmente para quem ainda não conhece profundamente a empresa.

Elisa também ressaltou a importância dos encontros presenciais. Visitas às lojas, ao escritório, ao showroom e ao centro de distribuição permitem que investidores e analistas conheçam a operação de maneira mais concreta.

Apesar da facilidade proporcionada pelas reuniões virtuais, esses momentos presenciais continuam sendo essenciais para aproximar o mercado da realidade operacional da companhia.

Narrativa precisa ter estrutura e continuidade

Ao falar sobre a construção da narrativa financeira, Elisa destacou que o RI deve partir de uma premissa simples: quem recebe a mensagem não possui o mesmo contexto de quem está dentro da companhia.

Por isso, a comunicação precisa ter uma estrutura clara. Na Veste, a divulgação dos resultados anuais é utilizada para apresentar os principais eixos estratégicos do período. Em 2026, por exemplo, a companhia passou a organizar sua mensagem em torno da força das marcas, dos canais responsáveis pelo crescimento e da disciplina operacional.

Essa estrutura orienta as comunicações realizadas ao longo do ano e permite que a companhia preste contas sobre o que foi anunciado. Ao final do período, o mercado consegue avaliar o que foi realizado, o que mudou e quais fatores exigiram uma revisão de rota.

Mais do que apresentar metas, a narrativa deve construir uma sequência lógica e coerente, conectando estratégia, execução e resultados.

Redes sociais ampliam o protagonismo das companhias

As redes sociais também fizeram parte da conversa. Para Elisa, se a companhia não ocupar esses espaços, outras pessoas irão construir narrativas sobre ela.

Investidores, analistas e criadores de conteúdo publicam diariamente interpretações sobre resultados e acontecimentos corporativos. Algumas análises são relevantes e bem fundamentadas, enquanto outras podem ser produzidas com informações incompletas ou apresentar uma visão enviesada.

Nesse cenário, a presença da companhia e de seus executivos nos canais digitais ajuda a ampliar o acesso às informações oficiais e a fortalecer o protagonismo sobre a própria narrativa.

Elisa reforçou, no entanto, que os conteúdos precisam refletir o perfil e o tom de voz da organização. Publicações genéricas, que poderiam ser assinadas por qualquer companhia, dificilmente contribuem para uma comunicação autêntica e estratégica.

Imprensa e canais próprios são complementares

Embora as companhias tenham conquistado mais autonomia por meio de seus canais próprios, Elisa destacou que a imprensa continua exercendo um papel importante como fonte de informação responsável e confiável.

Na Veste, o relacionamento com a imprensa é conduzido de forma coordenada entre a equipe interna e a assessoria, não apenas nos períodos de divulgação de resultados, mas durante todo o trimestre.

Para a executiva, canais próprios e imprensa não são concorrentes. A companhia pode apresentar diretamente seu posicionamento e, ao mesmo tempo, manter uma relação transparente com veículos que procuram apurar informações e ouvir a organização antes de publicar uma notícia.

Inteligência artificial aumenta eficiência, mas não substitui a mensagem

A inteligência artificial já faz parte da rotina de RI da Veste. Segundo Elisa, a tecnologia contribui para acelerar atividades que antes exigiam muitas horas de trabalho, como conferência de números, organização de informações e análise de materiais históricos.

Outro uso relevante está na verificação da coerência narrativa. Com o apoio da IA, o time pode comparar o que está sendo comunicado no trimestre com mensagens divulgadas nos últimos anos, identificando possíveis inconsistências ou mudanças de posicionamento.

O uso da tecnologia, porém, exige atenção ao sigilo dos dados. Informações internas, números ainda não divulgados e conteúdos estratégicos precisam ser tratados em ambientes seguros.

Elisa também alertou que a construção da mensagem não pode ser totalmente delegada à inteligência artificial. A tecnologia pode apoiar o processo, mas o posicionamento, o tom de voz e a intenção da comunicação precisam continuar sendo definidos pelas pessoas responsáveis pela estratégia da companhia.

Temas complexos são oportunidades de crescimento

Na reta final do episódio, Elisa compartilhou três recomendações para profissionais que desejam construir uma atuação mais estratégica em RI.

A primeira é conhecer profundamente o negócio. Isso significa ir além das planilhas, visitar a operação, entender os produtos e acompanhar de perto a estratégia da companhia.

A segunda é não fugir dos temas complexos. Para Elisa, assuntos difíceis representam oportunidades para o profissional se tornar uma referência dentro da organização. Ela relembrou sua experiência com a implementação do IFRS 16, quando decidiu se aprofundar no tema para conseguir responder às dúvidas do mercado e apoiar a liderança.

A terceira recomendação é desenvolver continuamente a capacidade de comunicação. Mesmo que o profissional ainda não seja responsável por conduzir reuniões ou apresentar resultados, ele participa da construção da narrativa e precisa saber organizar informações de maneira clara e estratégica.

Considerações finais: o RI precisa conhecer, traduzir e conectar

A participação de Elisa Bastos de Lima no IR Talks reforça que o profissional de Relações com Investidores precisa atuar além da divulgação de números.

O mercado já possui acesso aos indicadores financeiros. O diferencial do RI está na capacidade de explicar o que existe por trás deles, conectar o desempenho à estratégia e demonstrar como a companhia pretende construir valor ao longo do tempo.

Em um ambiente marcado pelo aumento da velocidade das informações, pela presença das redes sociais e pelo avanço da inteligência artificial, dominar o negócio e sustentar uma narrativa coerente tornou-se ainda mais importante.

Mais do que comunicar resultados, o RI moderno precisa conhecer a operação, enfrentar os assuntos complexos e transformar estratégia em uma mensagem clara, consistente e confiável.

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Marketing MZ
marketing@mzgroup.com | (11) 99419-3110

Cássio Rufino é COO da MZ, empresa líder em soluções para relações com investidores. Graduado em Administração de Empresas pelo Mackenzie, possui pós-graduação em Finanças Corporativas pelo Insper e MBA Executivo em Finanças pela mesma instituição. É especialista em comunicação financeira e criador do método dos 3Cs, que já ajudou dezenas de RIs a gerar mais valor através da comunicação financeira.

Sobre a MZ
A MZ é líder global em soluções de comunicação para Relações com Investidores, transformando a forma como as empresas se conectam com seus públicos estratégicos. Por meio de tecnologia avançada e uma equipe altamente especializada, fornecemos as melhores ferramentas para fortalecer a transparência e a confiança das empresas junto aos investidores. Acreditamos que uma comunicação eficiente é a chave para a construção de relações duradouras e para o sucesso no mercado de capitais.

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