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Relatório integrado e a conexão entre estratégia desempenho e sustentabilidade

Relatório Integrado
(imagem gerada por IA)
O relatório integrado é uma comunicação que explica como estratégia, governança, desempenho e perspectivas se relacionam com a capacidade de uma organização de gerar, preservar ou perder valor ao longo do tempo. Sua utilidade está em permitir que o leitor compreenda o negócio, seus recursos essenciais e as escolhas que sustentam os resultados. Mais do que reunir informações financeiras e ESG, a proposta é mostrar como essas dimensões se conectam.
Para quem analisa uma empresa, números isolados oferecem uma visão incompleta. O crescimento da receita pode coexistir com maior exposição a riscos operacionais. Uma redução de custos pode melhorar a margem atual e comprometer capacidades necessárias ao futuro. Uma iniciativa ambiental pode exigir investimento imediato e contribuir para a continuidade de uma operação.
Uma publicação bem construída ajuda a interpretar essas relações. Para isso, exige critérios de seleção, dados confiáveis e participação das áreas responsáveis pelas decisões. Este artigo apresenta os fundamentos do modelo e recomendações práticas para transformar a produção do documento em um processo de comunicação mais útil à gestão e aos investidores.
O que caracteriza o relato integrado
O modelo organiza uma explicação sobre o funcionamento da empresa e sua trajetória. O ponto de partida é entender quais recursos e relacionamentos são necessários à operação, como são utilizados e quais consequências decorrem das atividades. A análise deve alcançar resultados favoráveis, limitações e perdas.
O framework mantido pela IFRS Foundation considera seis capitais: financeiro, manufaturado, intelectual, humano, social e de relacionamento, e natural. Essas categorias ajudam a reconhecer recursos e dependências que não aparecem integralmente nos indicadores financeiros tradicionais.
Na aplicação prática, uma empresa de tecnologia pode avaliar a importância da qualificação de profissionais e da proteção de seus sistemas. Uma indústria pode examinar infraestrutura, disponibilidade de água e relações com fornecedores. O objetivo editorial é explicar as dependências relevantes para cada negócio, evitando capítulos genéricos que poderiam pertencer a qualquer organização.
O relatório integrado também pode funcionar como instrumento de alinhamento interno. Ao tentar explicar uma prioridade estratégica, as equipes precisam verificar se os investimentos, os indicadores e as responsabilidades apresentados apontam na mesma direção. Quando essa conexão não existe, o processo de produção revela uma questão que merece tratamento pela gestão.
Esse benefício depende do uso efetivo das informações. Publicar um documento mais organizado, por si só, não comprova melhor desempenho nem garante valorização das ações. A contribuição esperada é tornar a análise mais informada e reduzir dúvidas evitáveis sobre o negócio.
Diferenças em relação ao reporte de sustentabilidade
As publicações podem compartilhar dados, mas seus objetivos precisam ser identificados. Os padrões GRI orientam a divulgação dos impactos de uma organização sobre a economia, o meio ambiente e as pessoas. Essa perspectiva atende a diferentes públicos interessados nas consequências das atividades empresariais.
Já a abordagem integrada conecta os fatores relevantes à geração de valor. Isso permite discutir sustentabilidade junto de estratégia, investimentos e desempenho, preservando as particularidades de cada referência adotada. A IFRS Foundation disponibiliza, inclusive, um instrumento de mapeamento entre seu framework e os padrões IFRS S1 e S2. A existência dessa conexão não torna os documentos equivalentes nem dispensa a análise dos requisitos específicos.
Na relação entre relatórios de sustentabilidade e investidores, uma recomendação prática é explicitar a utilidade de cada informação. Dizer que determinada unidade reduziu o consumo de energia é um começo. Explicar o alcance da redução, o investimento realizado, as condições de comparação e as implicações para a operação torna a divulgação mais esclarecedora.
Também é necessário distinguir os conceitos das exigências brasileiras. A resolução CVM 193 foi alterada pela Resolução CVM 244, editada em maio de 2026, que revogou a obrigatoriedade anteriormente prevista para a divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade. A alteração manteve um regime de adoção voluntária com condições próprias. Portanto, seria incorreto afirmar que todas as companhias abertas passaram a ser obrigadas, em 2026, a publicar segundo esse regime.
A decisão de formato deve começar por um mapa das necessidades de informação. A empresa pode organizar um documento principal e materiais complementares, desde que deixe claros os referenciais, os limites e os locais de consulta. Apenas reunir arquivos em uma publicação não demonstra integração.
Princípios e estrutura
O framework reúne sete princípios: foco estratégico e orientação para o futuro; conectividade; relacionamento com partes interessadas; materialidade; concisão; confiabilidade e completude; consistência e comparabilidade. Também apresenta oito elementos de conteúdo, interligados entre si.
Na prática editorial, esses elementos podem ser traduzidos em perguntas:
Visão organizacional e ambiente externo: o que a empresa faz e em quais condições atua?
Governança: como a supervisão e as responsabilidades apoiam a geração de valor?
Modelo de negócios: como os recursos são utilizados para produzir resultados?
Riscos e oportunidades: quais fatores podem alterar a trajetória da organização?
Estratégia e alocação de recursos: quais prioridades orientam os investimentos?
Desempenho: o que foi alcançado e como interpretar os resultados?
Perspectivas: quais desafios e incertezas merecem acompanhamento?
Bases de preparação e apresentação: como o conteúdo foi selecionado e mensurado?
Para desenvolver o texto, convém preparar um roteiro que conecte cada prioridade a decisões e evidências. Se a expansão é central para a estratégia, o leitor precisa entender sua lógica, os recursos envolvidos, os riscos considerados e os resultados observados. Um capítulo sobre investimentos e outro sobre desempenho devem permitir essa leitura conjunta.
Concisão merece atenção especial. Uma forma prática de reduzir o volume é separar a explicação principal dos detalhes de consulta. Séries extensas, glossários e documentos de apoio podem ficar em materiais complementares, com referências claras. O texto central deve continuar suficiente para compreender os assuntos relevantes.
Também vale planejar a navegação antes da diagramação. Títulos informativos, gráficos com unidades explícitas e referências entre seções ajudam o leitor a localizar respostas. A qualidade visual deve favorecer a compreensão, sem esconder informações desfavoráveis em notas pouco acessíveis.
Materialidade dados e narrativa
Uma etapa decisiva é selecionar os temas que merecem espaço. A recomendação é registrar por que cada assunto foi incluído, quais evidências sustentam sua relevância e quem validou a avaliação. Isso cria uma base de trabalho mais consistente do que simplesmente repetir o sumário do ano anterior.
Consultas às partes interessadas podem contribuir com perguntas e percepções, mas precisam ser interpretadas junto das características do negócio. Um tema muito citado pode exigir uma resposta específica. Outro, pouco lembrado, pode representar uma dependência operacional importante. A equipe deve discutir essas diferenças e documentar seu julgamento.
Para cada assunto selecionado, pode-se construir uma ficha com cinco campos: contexto, decisão de gestão, indicador, resultado e próximos passos. Esse recurso ajuda a identificar lacunas antes da redação. Se existe uma meta sem responsável, ou um resultado sem metodologia, a pendência fica visível no início do processo.
O relatório integrado ganha clareza quando os dados têm origem identificável. Recomenda-se manter, para cada indicador, definição, fórmula, unidade, período, abrangência, responsável e evidência. Quando houver estimativas ou mudanças metodológicas, o texto deve explicar as limitações relevantes para a interpretação.
Imagine que uma companhia divulgue aumento no percentual de mulheres em posições de liderança. Antes de interpretar o avanço, é necessário conferir quais cargos foram considerados, se o perímetro permaneceu igual e se ocorreu uma aquisição. Esses cuidados evitam atribuir à gestão uma variação decorrente apenas de mudança na base de cálculo.
A narrativa deve partir dessas verificações. Em vez de adjetivos como “expressivo” ou “transformador”, convém apresentar o resultado, explicar suas causas e indicar o que permanece pendente. Afirmações sobre benefícios futuros devem distinguir expectativas de resultados já comprovados.
Processo colaborativo de produção
A produção pode ser organizada em seis etapas. O desenho abaixo é uma recomendação operacional, ajustável à dimensão da companhia, à maturidade dos controles e ao escopo definido para o projeto.
Definir escopo e responsabilidades
O início deve estabelecer público prioritário, período, abrangência, referências adotadas e entregáveis. Também convém identificar quem coordena, quem fornece os dados, quem revisa e quem aprova. Um patrocinador executivo ajuda a resolver conflitos de prioridade e assegurar participação das áreas.
A coordenação editorial precisa ter autoridade para pedir esclarecimentos e devolver conteúdos incompletos. Caso contrário, a publicação tende a acumular contribuições heterogêneas, sem uma explicação comum sobre a empresa.
Mapear informações e lacunas
Antes de solicitar novos textos, a equipe deve levantar documentos e bases existentes. Demonstrações financeiras, apresentações de resultados, políticas e registros de gestão podem apoiar o trabalho. O objetivo é identificar informações reutilizáveis e pontos que exigem investigação.
Esse inventário também ajuda a evitar solicitações repetidas. Quando diferentes equipes pedem o mesmo indicador em formatos incompatíveis, aumenta a possibilidade de divergência. Um cadastro comum de informações reduz esse problema.
Coletar com critérios uniformes
Os pedidos devem especificar o que se espera receber, com qual abrangência e em qual prazo. Um formulário útil pede a interpretação do resultado, além do número. Também solicita evidências e explicações sobre mudanças relevantes.
Indicadores críticos merecem acompanhamento durante o ano. Deixar toda a coleta para as semanas anteriores à publicação dificulta a recuperação de documentos e concentra decisões metodológicas em um período de maior pressão.
Redigir e conectar os conteúdos
A primeira versão deve ser organizada por perguntas do leitor e prioridades do negócio. Cada seção precisa explicar sua relação com a trajetória da organização. Entrevistas com executivos podem esclarecer escolhas, mas as afirmações precisam ser confrontadas com os dados disponíveis.
Uma revisão transversal deve procurar contradições entre áreas. Por exemplo, uma mensagem de expansão acelerada precisa ser compatível com as informações sobre capacidade operacional, financiamento e riscos de execução apresentadas no restante do documento.
Validar e aprovar
A revisão técnica verifica números, definições e abrangência. A revisão editorial avalia clareza e coerência. As instâncias de aprovação examinam os conteúdos sob suas responsabilidades. Quando houver asseguração externa, convém planejar previamente escopo, evidências e interação com o prestador.
Uma plataforma colaborativa pode apoiar controle de versões, atribuição de tarefas e registro de aprovações. A ferramenta precisa refletir um fluxo definido: tecnologia sem responsáveis e critérios claros apenas transfere a desorganização para outro ambiente.
Publicar e avaliar o uso
A divulgação deve facilitar acesso, leitura e consulta. É recomendável testar links, busca, legibilidade em dispositivos móveis e acessibilidade dos arquivos. A versão publicada precisa corresponder ao conteúdo aprovado, inclusive em traduções e materiais derivados.
Depois do lançamento, a equipe pode reunir dúvidas recorrentes, retorno de leitores e dificuldades observadas na navegação. Esses sinais ajudam a melhorar o ciclo seguinte. A avaliação deve observar utilidade e compreensão, além do volume de acessos.
Erros frequentes
Um erro comum é transformar a publicação em uma coleção de realizações. Projetos e reconhecimentos ocupam espaço, enquanto decisões difíceis e metas não alcançadas recebem pouca explicação. Recomenda-se revisar o equilíbrio do texto e perguntar se um leitor conseguiria compreender também as limitações do período.
Outro problema é apresentar indicadores sem contexto. Um número absoluto pode variar porque a operação cresceu, diminuiu ou mudou de composição. A equipe deve avaliar quais comparações permitem uma interpretação adequada, sem selecionar apenas as medidas que produzem a impressão mais favorável.
Há também o risco de prometer benefícios financeiros sem sustentação. Uma iniciativa pode contribuir para eficiência ou resiliência, mas a associação precisa ser demonstrada. Quando não existe mensuração confiável, a descrição deve reconhecer essa condição e evitar transformar uma hipótese em resultado.
Copiar a estrutura de outra companhia pode produzir lacunas semelhantes. Referências externas são úteis para avaliar clareza e organização, mas o conteúdo precisa responder às características do próprio negócio. O melhor exemplo é aquele que ajuda a formular perguntas melhores.
Por fim, iniciar o design antes de estabilizar a narrativa costuma gerar retrabalho. Diagramar conteúdos ainda inconsistentes torna mais difícil alterar gráficos, conferir referências e preservar versões. É preferível aprovar uma arquitetura editorial e avançar com etapas de validação bem definidas.
Exemplos de aplicação
Os exemplos seguintes são hipotéticos e ilustram como desenvolver conexões sem atribuir resultados a empresas específicas.
Indústria com exposição à disponibilidade de água
Uma indústria investe em reúso para reduzir sua dependência de captação externa. A publicação pode apresentar o risco identificado, a abrangência do projeto, o investimento e os indicadores acompanhados. Também deve esclarecer limitações e o estágio de implementação.
A interpretação melhora quando distingue capacidade instalada de utilização efetiva. Ter uma estrutura de reúso disponível não significa que toda a operação já esteja menos exposta. Essa diferença ajuda o leitor a avaliar o avanço real.
Empresa de serviços dependente de especialistas
Uma companhia investe em capacitação para ampliar sua capacidade de atendimento. Horas de treinamento mostram atividade, mas precisam ser acompanhadas de informações adequadas sobre competências e necessidades operacionais.
Se a empresa associar a iniciativa à qualidade do serviço, deve explicar como acompanha essa relação. Caso ainda não disponha de evidências suficientes, pode apresentar os indicadores escolhidos para avaliar os próximos períodos.
Varejista em expansão
Uma rede abre unidades e aumenta sua receita, enquanto enfrenta maior demanda por capital de giro. O texto pode conectar crescimento, maturação das lojas e financiamento da operação, discutindo as prioridades adotadas pela administração.
Essa abordagem permite compreender por que expansão comercial e geração de caixa podem seguir ritmos diferentes. Também cria espaço para explicar ajustes de execução, sem reduzir a análise à quantidade de inaugurações.
“O valor de um relatório integrado está em explicar as relações entre estratégia, recursos e resultados. É essa conexão que permite ao investidor compreender o que sustenta o desempenho da companhia.”
Cássio Rufino, COO & CMO da MZ
Concluindo em um parágrafo ou mais
O relatório integrado se torna mais útil quando permite compreender as relações entre decisões, recursos, riscos e resultados. Sua qualidade depende de uma seleção criteriosa do conteúdo e de evidências que sustentem a narrativa. A apresentação deve ajudar o leitor a avaliar a trajetória do negócio, incluindo avanços e incertezas.
Para as empresas, a prioridade é estruturar um processo contínuo de colaboração. Definir responsáveis, organizar fontes e registrar aprovações cria condições para produzir informações mais consistentes a cada ciclo. O aprendizado começa durante a elaboração, quando as áreas precisam confrontar interpretações e construir uma explicação compartilhada.
Conheça nossa solução de Relatórios Corporativos Colaborativos e converse com a equipe sobre as necessidades da sua companhia. O ponto de partida é avaliar como organizar a participação das áreas, a coleta de informações e a produção de uma comunicação corporativa mais clara.
Esperamos ter contribuído com esses insights sobre relatórios integrados. Qualquer dúvida, já sabem, estamos por aqui, sempre à disposição! 😉
Equipe Comunicação Externa & Pesquisa MZ
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Sobre a MZ
MZ conecta a sua estratégia ao mercado, sendo seu parceiro em toda a jornada de comunicação.
Com 26 anos de atuação em comunicação corporativa e relações com investidores, a MZ soma mais de 2.500 websites publicados, 1.000 clientes em 12 países e 250 profissionais. Estamos ao lado das maiores empresas e gestoras de investimentos, apoiando todo o processo: automação de relatórios financeiros, comunicação com o mercado por meio de websites, eventos, presença digital e ações de engajamento. Não estamos aqui pelo projeto, e sim pela jornada. Mais que uma agência, um time de engenharia que trabalha como extensão do seu time.
Sobre Cássio Rufino
Cássio Rufino é estrategista empresarial, especializado na integração entre estratégia, marketing e performance financeira. É Sócio-diretor da MZ Group, sendo o atual COO e CMO, onde lidera áreas estratégicas de operações, sucesso do cliente e marketing. Formado em Administração de Empresas pelo Mackenzie, com pós-graduação e MBA Executivo em Finanças pelo Insper. Além de especializações em Gestão de Pessoas, Marketing e Atendimento ao Cliente.
