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Liquidez é consequência de comunicação de qualidade
Formador de Mercado Não Faz Milagre. A Comunicação Continua Sendo o Principal Motor da Liquidez
Em momentos de menor liquidez ou de desconto relevante em relação aos pares, é comum que companhias listadas passem a discutir alternativas para ampliar o interesse dos investidores por suas ações. Entre as iniciativas mais utilizadas está a contratação de um formador de mercado, mecanismo amplamente conhecido por contribuir para a eficiência das negociações e para a redução dos spreads entre compra e venda.
Entretanto, existe uma armadilha recorrente nessa discussão. Muitas empresas passam a enxergar a liquidez como um problema operacional, quando na realidade ela costuma ser consequência de um desafio muito mais amplo: a dificuldade de comunicar valor ao mercado.
Pensando nisso, a MZ publicou o Estudo “Fatos Relevantes sobre Formador de Mercado em 2025“, que analisa as 15 companhias de 11 setores que arquivaram Fatos Relevantes relacionados ao tema ao longo do ano passado. Os dados reforçam que o mercado continua enxergando relevância nessa ferramenta. Entretanto, eles também levantam uma reflexão importante: até que ponto a liquidez depende exclusivamente da contratação de um formador de mercado? E até que ponto ela depende da capacidade da companhia de construir uma narrativa clara, consistente e confiável para investidores?
A resposta provavelmente está muito mais próxima da segunda pergunta
Liquidez é consequência, não causa. Quando investidores analisam uma companhia, raramente a liquidez é o primeiro elemento considerado. Antes disso, eles procuram entender o modelo de negócios, a estratégia, os riscos, os diferenciais competitivos, a qualidade da gestão, as perspectivas de crescimento e a capacidade de geração de valor.
A liquidez surge como consequência desse processo. Empresas que despertam interesse costumam atrair investidores. Investidores geram negociações. Negociações geram liquidez. Por essa razão, tentar resolver um problema de liquidez sem enfrentar eventuais problemas de comunicação pode significar tratar apenas os sintomas, e não a causa.
O formador de mercado pode facilitar negociações. Mas ele não cria interesse onde o interesse não existe. Ele não substitui uma tese de investimento bem comunicada, não substitui transparência, não substitui relacionamento com investidores e, enfim, não substitui credibilidade.
O que os dados do Estudo mostram que 12 das 15 empresas que divulgaram a contratação ou substituição de um formador de mercado apresentaram desempenho positivo das ações ao longo de 2025. Além disso, 12 companhias registraram variação positiva após a divulgação do anúncio. Da mesma forma, ao comparar os 90 dias anteriores e posteriores à contratação, sete empresas registraram aumento no volume médio diário negociado.
Os números são interessantes, mas exigem cautela. Não é possível afirmar que esses resultados decorreram exclusivamente da contratação do serviço. Cada uma dessas empresas estava inserida em contextos distintos, enfrentando desafios específicos e comunicando histórias diferentes ao mercado. Isso nos leva a uma conclusão importante: o anúncio do formador de mercado pode funcionar como um catalisador, mas dificilmente é o principal responsável pela criação de valor percebido pelos investidores.
O mercado compra histórias antes de comprar ações
Uma das funções mais relevantes dos profissionais de Relações com Investidores (o famoso RI) é reduzir assimetrias de informação. Quanto maior a incerteza, maior tende a ser o prêmio de risco exigido pelo mercado e quanto maior o prêmio de risco, maior tende a ser o custo de capital da companhia.
Nesse contexto, a comunicação deixa de ser apenas uma atividade de divulgação regulatória e passa a desempenhar papel estratégico. Investidores precisam entender não apenas o que aconteceu, mas por que aconteceu. É preciso compreender a lógica por trás das decisões da administração, enxergar como a companhia pretende criar valor nos próximos anos.
Sem isso, mesmo empresas com fundamentos sólidos podem sofrer com baixa liquidez e descontos relevantes em relação aos seus pares.
O verdadeiro desafio do RI
Para muitos profissionais de RI, a discussão sobre liquidez começa quando deveria terminar. A pergunta normalmente é: “Como aumentar a liquidez das ações?“. Talvez a pergunta correta seja: “Como aumentar o interesse dos investidores pela nossa tese?“
A resposta está menos relacionada à mecânica de negociação das ações e mais à capacidade da companhia de construir confiança junto ao mercado. Isso exige uma comunicação clara, consistente e acessível, apoiada por materiais de qualidade, apresentações objetivas, um website de RI eficiente e canais permanentes de interação com investidores. Iniciativas como Investor Days, reuniões individuais e conferências de resultados cumprem papel fundamental nesse processo, assim como a disponibilidade do management para discutir estratégia, desafios e perspectivas.
Quando a comunicação consegue reduzir incertezas e fortalecer a compreensão da tese de investimento, a liquidez tende a aumentar de forma sustentável, refletindo o maior interesse dos investidores pela companhia.
Cinco perguntas que todo RI deveria fazer antes de discutir liquidez
Antes de atribuir exclusivamente à falta de liquidez os desafios enfrentados pelas ações da companhia, vale refletir sobre alguns pontos:
- Os investidores compreendem claramente nossa estratégia de criação de valor?
- Nossos materiais ajudam o mercado a entender os principais direcionadores do negócio?
- Estamos explicando adequadamente riscos, oportunidades e alocação de capital?
- O acesso à administração é compatível com as expectativas dos investidores?
- Nossa narrativa está tão clara quanto a de nossos principais concorrentes?
Em muitos casos, as respostas a essas perguntas revelam oportunidades mais relevantes do que qualquer iniciativa voltada exclusivamente à negociação dos papéis.
“É comum associarmos liquidez apenas ao volume negociado, mas a verdadeira liquidez começa muito antes da negociação. Ela nasce quando o investidor entende a estratégia da companhia, confia na gestão e consegue enxergar claramente os seus direcionadores de valor.”
Cássio Rufino, CMO & COO da MZ
Comunicação e custo de capital
A relação entre comunicação financeira e custo de capital já é amplamente reconhecida pelo mercado. Companhias que comunicam melhor tendem a apresentar menor assimetria de informação. Menor assimetria gera maior confiança, assim como maior confiança amplia o universo potencial de investidores.
Uma base investidora mais ampla tende a aumentar liquidez, melhorar a precificação dos ativos e reduzir o retorno exigido pelo mercado. Nesse sentido, o formador de mercado pode ser um aliado importante. Mas ele não é o protagonista dessa história. O protagonista continua sendo a capacidade da companhia de explicar quem é, para onde está indo e como pretende gerar valor.
“Um formador de mercado pode facilitar a negociação das ações, mas não substitui uma tese de investimento bem comunicada. No longo prazo, as empresas que conseguem atrair mais investidores são aquelas que reduzem incertezas por meio de uma comunicação consistente, transparente e acessível.”
Cássio Rufino, CMO & COO da MZ
Concluindo em um parágrafo ou mais
O Estudo mostra que o formador de mercado continua sendo uma ferramenta relevante dentro do mercado de capitais brasileiro. Seus benefícios para a dinâmica de negociação, eficiência de mercado e potencial ampliação da liquidez são amplamente reconhecidos pelas companhias e pelos investidores.
Entretanto, os dados também reforçam uma mensagem que merece atenção dos profissionais de RI: liquidez não é construída apenas por mecanismos de mercado. Ela é construída por confiança. E confiança é construída por comunicação.
Nenhum formador de mercado é capaz de substituir uma narrativa consistente, uma estratégia bem explicada ou um relacionamento próximo com investidores. O que ele faz é potencializar um trabalho que já deveria estar sendo realizado pelo RI.
Em um ambiente cada vez mais competitivo pela atenção dos investidores, as empresas que se destacam não são necessariamente aquelas que possuem mais ferramentas. São aquelas que conseguem comunicar melhor seus diferenciais, reduzir incertezas e transformar informação em confiança. E, no longo prazo, essa continua sendo uma das formas mais eficientes de construir liquidez, fortalecer a reputação corporativa e contribuir para a redução do custo de capital.
Esperamos ter contribuído com insights sobre a importância de eventos como o Investor Day para as companhias em sua constante busca por redução do custo de capital. Qualquer dúvida, já sabem, estamos por aqui, sempre à disposição! 😉
Cássio Rufino e Equipe Comunicação Externa & Pesquisa MZ
mz.estudos@mzgroup.com | (11) 9599-1329
Sobre a MZ
A MZ é referência global na criação de conteúdos informativos e educativos que geram valor real para as companhias, ajudando-as a se manterem atualizadas e preparadas para os desafios do mercado de capitais. Nossa abordagem é estratégica, com foco em fortalecer o entendimento sobre práticas de governança, comunicação financeira e relações com investidores. Acreditamos que, por meio de conteúdo de qualidade, podemos apoiar as empresas a aprimorar sua comunicação, elevar sua reputação e agregar valor sustentável aos seus negócios.
Sobre Cássio Rufino
Cássio Rufino é estrategista empresarial, especializado na integração entre estratégia, marketing e performance financeira. É Sócio-diretor da MZ Group, sendo o atual CMO e COO, onde lidera áreas estratégicas de operações, sucesso do cliente e marketing. Formado em Administração de Empresas pelo Mackenzie, com pós-graduação e MBA Executivo em Finanças pelo Insper. Além de especializações em Gestão de Pessoas, Marketing e Atendimento ao Cliente.