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Letícia Vaccaro, da MBRF, e os três pilares do RI estratégico

Letícia Vaccaro, da MBRF, e os três pilares do RI estratégico

A MZ, com apoio do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (IBRI), apresentou mais um episódio do IR Talks, o talk show dos profissionais de Relações com Investidores do Brasil. Conduzido por Cássio Rufino, sócio executivo, CMO e COO da MZ, o programa recebeu Letícia Vaccaro, Head de Relações com Investidores da MBRF, para uma conversa sobre carreira, comunicação financeira, preparação para resultados, integração entre RI e Comunicação e os principais pilares de uma atuação estratégica.

Formada em Administração, Letícia iniciou sua trajetória profissional como estagiária na Unilever. Em 2011, ingressou na BRF, hoje MBRF, por meio do programa de trainee e começou sua atuação na área comercial, atendendo grandes clientes globais do segmento de food service, como McDonald’s, KFC e Pizza Hut.

Depois, passou pela área de gestão comercial, na qual participou de um projeto voltado à estruturação e à padronização da avaliação dos pontos de venda nas diferentes regiões do Brasil. Em 2018, assumiu a posição de Chief of Staff, apoiando o então COO da companhia, que posteriormente se tornou CEO, além de acompanhar diferentes agendas do comitê executivo.

No final de 2020, recebeu o convite para integrar a área de Relações com Investidores. A experiência acumulada em diferentes frentes permitiu que chegasse ao RI com uma visão abrangente sobre a operação, a estratégia, os processos de decisão e as particularidades da companhia.

Conhecer a companhia é essencial para construir uma mensagem clara

Durante a conversa, Letícia destacou que sua trajetória nas áreas comercial e de gestão foi fundamental para sua atuação em RI. Quando assumiu a nova posição, ela já conhecia os principais desafios da companhia, os times responsáveis pela operação e os caminhos percorridos durante os processos de decisão.

O maior desafio passou a ser transformar todo esse conhecimento interno em uma mensagem clara para o mercado.

Para Letícia, o profissional de RI precisa considerar que investidores e analistas acompanham diferentes companhias e setores. Uma informação que parece simples para quem está inserido diariamente no negócio pode não ser tão evidente para o público externo.

Nesse contexto, o RI deve organizar os principais pontos, adaptar sua linguagem e avaliar criticamente se aquilo que está sendo comunicado é realmente compreensível.

Essa análise também se aplica a comunicados ao mercado, fatos relevantes e outros documentos regulatórios. Embora esses materiais exijam precisão técnica e jurídica, o RI pode contribuir para tornar a mensagem mais clara, direta e conectada ao que a companhia deseja transmitir.

Comunicação se desenvolve com observação e experiência

Ao recordar o início de sua atuação em Relações com Investidores, Letícia ressaltou a importância de acompanhar profissionais mais experientes e observar como eles conduziam reuniões, respondiam perguntas e apresentavam a estratégia da companhia.

A prática também desempenhou um papel importante nesse processo. Cada conversa com o mercado permite identificar dúvidas recorrentes, avaliar como determinada mensagem foi recebida e aperfeiçoar a maneira de explicar os assuntos nos encontros seguintes.

Embora cada profissional desenvolva seu próprio estilo, Letícia considera fundamentais alguns princípios: a mensagem precisa ser clara, transparente, lógica e alinhada à estratégia da companhia.

Para ela, comunicação, curiosidade e conhecimento do negócio são competências complementares. Quanto maior a compreensão sobre a operação, mais preparado o RI estará para contextualizar acontecimentos, responder perguntas e adaptar a mensagem aos diferentes públicos.

Processos complexos ampliam o repertório do RI

A trajetória recente da companhia também trouxe desafios relacionados a operações no mercado de capitais, mudanças societárias e à combinação dos negócios entre Marfrig e BRF.

Letícia explicou que cada processo, como emissões, follow-ons e operações de fusão e aquisição, gera um aprendizado diferente. Essas movimentações exigem organização, disciplina e interação próxima com escritórios, equipes jurídicas e outras áreas da companhia.

No processo que resultou na MBRF, a comunicação foi construída ao longo do tempo. As companhias passaram por suas próprias jornadas de evolução operacional, revisão de ativos e direcionamento para produtos de maior valor agregado antes da combinação dos negócios.

Segundo Letícia, existia uma compreensão de que, após o avanço operacional das companhias, a união dos ativos poderia representar um próximo passo. A construção gradual dessa mensagem ajudou a alinhar expectativas e a apresentar ao mercado a lógica estratégica da operação.

Diversidade de experiências fortalece a equipe

Atualmente, a equipe de Relações com Investidores liderada por Letícia é composta por cinco profissionais com experiências diversas. O time reúne pessoas que já atuaram em RI, no mercado financeiro e em empresas fornecedoras de serviços para a área.

Essa combinação de conhecimentos contribui para diferentes momentos da rotina, inclusive durante operações de mercado e períodos de maior demanda.

A equipe se organiza por atividades, mas também promove a rotação de responsabilidades de acordo com as habilidades e os interesses de desenvolvimento de cada integrante. Além disso, cada frente possui profissionais preparados para atuar como backup, garantindo continuidade durante férias ou diante de demandas simultâneas.

Para Letícia, a proximidade e a parceria entre os integrantes são fundamentais. Todos precisam acompanhar o que está acontecendo na área, ainda que sejam diretamente responsáveis por atividades diferentes.

A preparação para resultados começa antes do fechamento dos números

Um dos principais temas do episódio foi a preparação para a divulgação de resultados. Na MBRF, esse trabalho começa com antecedência, a partir da definição de um cronograma que considera o acesso aos dados e todas as etapas necessárias para a elaboração dos materiais.

Antes mesmo do fechamento completo dos números, o RI realiza conversas com as equipes comerciais e operacionais dos diferentes segmentos e mercados em que a companhia atua. O objetivo é mapear os principais acontecimentos do trimestre e compreender as dinâmicas que influenciaram o desempenho.

Para Letícia, o desafio é ir além da leitura de indicadores como receita, volume, preço e EBITDA. O profissional precisa investigar o que existe por trás de cada número, considerando fatores como oferta e demanda, condições de mercado, restrições comerciais, mudanças regulatórias e novas habilitações para exportação.

A partir desse levantamento, a equipe começa a estruturar o relatório da administração e a apresentação de resultados. Os materiais são construídos de maneira integrada para conectar os indicadores financeiros aos acontecimentos mais relevantes dos três meses analisados.

Q&A ajuda a antecipar as dúvidas do mercado

A preparação para a divulgação também inclui diferentes rodadas de Q&A com o comitê executivo. Com base nas reuniões realizadas com investidores e analistas, nas conferências e nas informações disponíveis sobre o mercado, a equipe identifica perguntas que já estão sendo feitas ou que podem surgir após a publicação dos resultados.

Os questionamentos podem envolver o desempenho operacional, volumes, preços, características de cada categoria, condições dos mercados internacionais e estrutura de capital.

Além de elaborar uma sugestão de resposta, o RI reúne informações e dados de apoio para sustentar cada posicionamento. Um ou dois dias antes da divulgação, é realizado um alinhamento final para verificar se algum acontecimento recente pode gerar novas dúvidas.

Na noite da publicação dos resultados, o time permanece próximo para esclarecer pontos levantados pelo mercado. A equipe de Comunicação também organiza conversas com a imprensa, enquanto o RI atende investidores e analistas.

No dia seguinte, antes da conferência pública, são analisados os primeiros relatórios divulgados pelo sell-side. Esses materiais ajudam a identificar os temas que podem ganhar destaque durante o call.

Na MBRF, o CEO e o CFO conduzem as respostas na conferência. A divisão dos assuntos é organizada previamente para proporcionar clareza, concentração e fluidez durante o Q&A.

Informações setoriais ajudam a explicar o desempenho

Além dos números internos, a equipe acompanha diferentes indicadores públicos e relatórios de mercado.

Entre as informações monitoradas estão os preços de milho e soja, os dados relacionados aos mercados de frango, suínos e bovinos e os volumes e preços das exportações brasileiras. A equipe também acompanha indicadores sobre o mercado norte-americano, como preços e dados relacionados ao confinamento de animais.

Relatórios setoriais, dados de instituições públicas e análises produzidas pelas casas que acompanham a companhia também fazem parte dessa rotina.

Esse conjunto de informações permite que o RI compreenda como os segmentos estão se comportando no Brasil e no exterior. Mais do que acompanhar dados, o objetivo é identificar quais fatores internos e externos ajudam a explicar o desempenho da companhia.

Esse conhecimento também fortalece a preparação para reuniões com investidores, conferências de bancos e outros encontros realizados ao longo do trimestre.

RI e Comunicação trabalham de maneira integrada

Letícia também destacou a relação próxima entre as áreas de Relações com Investidores e Comunicação. Na companhia, essa interação acontece diariamente e envolve o acompanhamento de notícias, relatórios setoriais e conteúdos que possam afetar a percepção de investidores, consumidores, acionistas e outros públicos.

Comunicados ao mercado e fatos relevantes são trabalhados de forma coordenada, garantindo que as áreas estejam alinhadas sobre o conteúdo, a linguagem e seus possíveis desdobramentos.

Durante a temporada de resultados, essa integração se intensifica. A equipe de Comunicação participa das conversas com as áreas comerciais e operacionais e contribui para a construção do release de imprensa e dos comunicados destinados ao público interno.

Segundo Letícia, nesse período, RI e Comunicação atuam praticamente como uma única equipe. O trabalho conjunto ajuda a conectar a divulgação financeira às mensagens direcionadas aos demais stakeholders da companhia.

A preparação para o mercado faz parte da rotina diária

A participação em conferências e reuniões com investidores também esteve entre os assuntos do episódio. A MBRF busca comparecer às agendas para as quais é convidada, respeitando eventuais conflitos de calendário.

Para Letícia, essas ocasiões não exigem uma preparação completamente diferente daquela realizada no dia a dia. O contato com investidores, acionistas e analistas já faz parte da rotina do RI.

O material desenvolvido para a divulgação de resultados, especialmente o Q&A e suas informações de apoio, é atualizado ao longo do trimestre conforme novos indicadores, notícias e relatórios são publicados.

Dessa forma, a equipe mantém uma base consistente para participar de reuniões, calls e conferências, além de responder com mais segurança às dúvidas relacionadas à operação, ao mercado e à estratégia da companhia.

Disciplina e planejamento organizam a atuação do RI

Na reta final do episódio, Letícia compartilhou três características que considera fundamentais para quem deseja construir uma atuação estratégica em Relações com Investidores.

A primeira é a combinação entre disciplina e planejamento.

O RI trabalha com regras, obrigações e prazos estabelecidos por órgãos reguladores como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Securities and Exchange Commission (SEC). Por isso, precisa estruturar calendários, antecipar atividades e organizar processos com atenção.

Para Letícia, essa disciplina representa a base do trabalho. Quanto mais bem planejada estiver a rotina, maior será a capacidade da equipe de lidar com as demandas previstas e responder aos acontecimentos que surgem fora do calendário.

Comunicação precisa refletir a identidade da companhia

A segunda característica é a capacidade de se comunicar com clareza e transparência.

O profissional de RI precisa conversar com diferentes públicos e garantir que a mensagem seja compreendida. Os materiais de resultados também devem refletir a identidade da companhia, apresentando não apenas os indicadores, mas seus produtos, marcas, mercados e principais diferenciais.

No caso da MBRF, que possui marcas e produtos reconhecidos em mercados como Brasil, Turquia, Oriente Médio e Estados Unidos, os materiais representam uma oportunidade de tornar o negócio mais tangível.

Para Letícia, não basta apresentar o resultado isoladamente. É necessário utilizar esse espaço para mostrar o que a companhia deseja comunicar e conectar os números à realidade de seus negócios.

Curiosidade permite enxergar além dos indicadores

A terceira característica é manter a curiosidade e uma visão ampla do negócio.

Letícia recomenda que o profissional investigue o que existe por trás dos números e procure compreender por que a companhia cresceu, perdeu volume, ampliou margens ou conquistou participação de mercado.

Essa análise pode envolver dados macroeconômicos, esforços internos, mudanças operacionais, conflitos geopolíticos, tarifas, cotas de exportação e novas oportunidades comerciais.

A curiosidade também deve alcançar o ambiente externo. Acompanhar como outras companhias, inclusive pares globais, apresentam seus resultados e estruturam suas mensagens ajuda o RI a identificar boas práticas e ampliar seu repertório.

O profissional deve utilizar os canais internos para conversar com diferentes áreas e entender o negócio, mas também aproveitar a quantidade de informações disponíveis publicamente para acompanhar o setor, os concorrentes e as principais tendências do mercado.

Considerações finais: o RI precisa compreender o que existe por trás dos números

A participação de Letícia Vaccaro no IR Talks reforça que o profissional de Relações com Investidores precisa combinar conhecimento interno, capacidade analítica, planejamento e comunicação clara.

Os indicadores financeiros representam apenas uma parte da história. Cabe ao RI investigar as dinâmicas que explicam o desempenho, conectar os resultados à estratégia e transformar informações complexas em mensagens compreensíveis para o mercado.

Em companhias globais e expostas a diferentes mercados, esse trabalho exige ainda mais atenção aos acontecimentos operacionais, regulatórios, econômicos e geopolíticos.

Disciplina, planejamento, comunicação e curiosidade ajudam o RI a cumprir suas obrigações, antecipar dúvidas e contribuir de maneira mais estratégica para a relação entre a companhia e seus diferentes públicos.

Mais do que divulgar números, o RI estratégico precisa conhecer profundamente o negócio, compreender as mudanças do mercado e explicar com clareza os fatores que sustentam a geração de valor da companhia.

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Marketing MZ
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Cássio Rufino é sócio executivo, CMO e COO da MZ, empresa líder em soluções para relações com investidores. Graduado em Administração de Empresas pelo Mackenzie, possui pós-graduação em Finanças Corporativas pelo Insper e MBA Executivo em Finanças pela mesma instituição. É especialista em comunicação financeira e criador do método dos 3Cs, que já ajudou dezenas de RIs a gerar mais valor através da comunicação financeira.

Sobre a MZ
A MZ é líder global em soluções de comunicação para Relações com Investidores, transformando a forma como as empresas se conectam com seus públicos estratégicos. Por meio de tecnologia avançada e uma equipe altamente especializada, fornecemos as melhores ferramentas para fortalecer a transparência e a confiança das empresas junto aos investidores. Acreditamos que uma comunicação eficiente é a chave para a construção de relações duradouras e para o sucesso no mercado de capitais.

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