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A Comunicação Financeira também nas Redes Sociais visando a Redução do Custo de Capital
Em um ambiente de mercado cada vez mais competitivo, dinâmico e sensível à informação, a comunicação financeira transcende os relatórios formais e os balanços trimestrais, uma das principais responsabilidades dos profissionais de relações com investidores (o famoso RI). As redes sociais, com destaque para o LinkedIn, tornaram-se canais essenciais para ampliar o alcance da narrativa corporativa e reforçar a percepção de transparência e proximidade com o mercado.
Pensando nisso, a MZ, que tem como foco empoderar o profissional de RI, seja com tecnologia de ponta e atendimento excepcional, ou por meio da disseminação de conteúdos relevantes, divulgou o Estudo Análise das Publicações no LinkedIn de Empresas de Capital Aberto sobre os Resultados do 1T25, que traz informações valiosas sobre como as empresas brasileiras estão, de maneira crescente, utilizando o LinkedIn como ferramenta estratégica para divulgar seus resultados e influenciar positivamente sua percepção de risco e, consequentemente, ajudar na redução de custo de capital, uma das principais metas deste profissional.
Um pouco sobre o Estudo
O levantamento analisou 350 companhias brasileiras e seus principais executivos (703 perfis entre CEOs, CFOs e DRIs) durante os meses de abril e maio de 2025. Entre os destaques, 47,4% das companhias realizaram publicações sobre os resultados do 1T25 no LinkedIn, consolidando uma tendência de crescente adesão a esse canal como instrumento de comunicação financeira. Dentre essas, 94,7% focaram exclusivamente na divulgação dos resultados, com 0,5% abordando também as conferências. Essa evolução demonstra como as empresas vêm incorporando o LinkedIn como parte fundamental de sua estratégia de relacionamento com investidores e fortalecimento de marca institucional.
Essa tendência se reforça quando cruzamos os dados com os índices de performance setorial. O relatório complementar sobre variações de desempenho indica que, no 1T25, em 12 dos 20 setores analisados, as empresas que publicaram no LinkedIn apresentaram performance superior tanto à média geral quanto às que não publicaram. Isso foi especialmente evidente em setores como Tecnologia (+42,3% para quem publicou, contra -5,9% para quem não publicou), Educação (+48,5% contra +34,2%) e Mineração (+21,0% contra +0,7%). Essa correlação sugere que a presença estratégica no LinkedIn está associada a uma melhor percepção de mercado e valorização dos ativos.
A análise de maio de 2025 também reforça essa conclusão: os setores de Tecnologia (+25,5%), Saúde (+6,5%), Participações (+8,9%) e Varejo (+8,3%) tiveram desempenho melhor entre as companhias que se comunicaram via LinkedIn, contrastando com performances negativas ou estagnadas de empresas que não utilizaram o canal. Ainda que a causalidade exata dependa de múltiplos fatores, os dados corroboram a hipótese de que a comunicação digital estratégica influencia positivamente a reputação e, por conseguinte, o valor de mercado das companhias.
Outro ponto relevante foi o formato utilizado nas publicações: 31,7% adotaram o modelo “Texto + Carrossel” e 31,2% “Texto + Imagem” — este último crescendo 4 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior. Isso revela uma tendência crescente à valorização do apelo visual e da experiência de navegação do usuário. A visualização foi bem avaliada: 88,2% das postagens corporativas tinham leitura clara sem necessidade de zoom. No entanto, a acessibilidade ainda é incipiente, com apenas 3,7% das imagens contendo texto alternativo e 7,1% dos vídeos com legendas. Este dado sinaliza uma oportunidade de evolução nas boas práticas de inclusão, alinhadas às tendências de governança e responsabilidade social.
A utilização de links também se mostrou um fator de destaque: 67,2% das publicações corporativas incluíam links externos, sendo 47,3% direcionados ao site de RI, reforçando o objetivo de conversão para informação aprofundada. Hashtags foram utilizadas em 63% das postagens, com média de 4 por post, principalmente relacionadas ao nome da empresa, resultados e slogans. O uso adequado de hashtags não apenas amplia o alcance da comunicação, mas também permite organizar e segmentar conteúdos, facilitando sua localização por investidores institucionais e analistas de mercado.
No LinkedIn, página pessoal vale mais
Cada vez mais, executivos vêm se posicionando de forma ativa na comunicação dos resultados. No 1T25, 13,5% dos executivos divulgaram ou compartilharam postagens sobre os resultados em seus perfis pessoais, uma vez que o alcance para páginas pessoais é maior do que em páginas institucionais.
Quando o fizeram, 80,4% das publicações apresentaram boa visualização, embora haja espaço para avanços em práticas como inserção de links (apenas 41,8%) e uso de legendas em vídeos (menos de 30%). A presença de executivos à frente da comunicação é estratégica, pois humaniza a narrativa e transmite confiabilidade. A participação direta do CEO, por exemplo, confere autoridade à mensagem e amplia seu potencial de repercussão, reforçando a liderança e o compromisso da companhia com a transparência.
Essas práticas, quando bem executadas, contribuem diretamente para a formação de uma imagem positiva junto a analistas e investidores, o que, segundo a literatura financeira e estudos empíricos (como os famosos Disclosure, Liquidity, and the Cost of Capital, de 1991, Disclosure Level and the Cost of Equity Capital, de 1997, e Information and the Cost of Capital de 2004 para citar três) impacta na precificação dos ativos e, portanto, no custo de capital da empresa.
A comunicação financeira eficaz nas redes sociais permite uma disseminação rápida, segmentada e com alto poder de engajamento da narrativa corporativa, facilitando a compreensão dos resultados, contexto setorial e estratégias futuras. Além disso, o engajamento gerado por essas publicações contribui para consolidar a reputação institucional da companhia, fortalecendo sua presença digital e sua relação com investidores atuais e potenciais.
Ademais, ao observar os dados de desempenho da B3 no mesmo período (com o IBOVESPA valorizando 14,6% e o SMLL 22,2% até maio/25), percebe-se que o contexto era propício para fortalecer a comunicação com o mercado. Empresas que aproveitaram esse momento para divulgar de forma clara, visual e acessível seus resultados puderam diferenciar-se, reforçar reputação e engajar stakeholders. Em um cenário de retomada de confiança e maior apetite por risco, companhias que se destacam pela boa comunicação são naturalmente mais atrativas.
Vale destacar que a comunicação de resultados nas redes sociais não substitui os canais tradicionais regulatórios, mas os complementa de forma sinérgica. Enquanto a atualização do site de RI e o envio dos documentos à Comissão de Valores Mobiliários (a famosa CVM) garantem o cumprimento das exigências legais, o uso assertivo do LinkedIn possibilita uma interação mais dinâmica, direta e segmentada com audiências que vão desde investidores individuais até grandes gestoras. Além disso, os algoritmos das redes sociais amplificam a visibilidade de conteúdos que recebem interação rápida, gerando um ciclo virtuoso de alcance e reputação.
Concluindo em um parágrafo ou mais
O estudo da MZ revela que o LinkedIn tem se consolidado cada vez mais como uma poderosa plataforma de comunicação para as empresas brasileiras, especialmente durante o período de divulgação de resultados. Com cada vez mais companhias adotando estratégias digitais para ampliar sua narrativa financeira, observa-se uma maturidade crescente no uso da plataforma como ferramenta de relacionamento com investidores e fortalecimento de reputação.
Ao analisar a performance de mais de 300 empresas ao longo de 2024, 1T25 e maio de 2025, fica evidente que há uma associação positiva entre presença ativa no LinkedIn e desempenho no mercado, particularmente em setores com maior volatilidade ou necessidade de visibilidade institucional. Os dados mostram que comunicar-se com clareza e frequência pode ser tão estratégico quanto apresentar bons resultados — pois é a narrativa bem construída que conecta os números à confiança do investidor.
A presença ativa de executivos, o uso de formatos acessíveis e visuais, o direcionamento para sites de RI e a utilização consistente de hashtags são boas práticas que contribuem para fortalecer a transparência e a confiança do mercado. Assim, o LinkedIn se consolida como uma extensão estratégica da comunicação financeira, com potencial direto de contribuir para a redução do custo de capital das companhias brasileiras.
Cabe, portanto, aos profissionais de Relações com Investidores liderarem esse movimento de modernização da comunicação financeira, promovendo capacitação interna, alinhamento com áreas de marketing e compliance, e construção de narrativas que conectem os números ao propósito da empresa. Em um mundo onde reputação e informação são ativos valiosos, a comunicação nas redes sociais deixou de ser apenas uma vitrine para se tornar uma ferramenta estratégica de valor.
Esperamos ter ajudado com informações sobre esse Estudo que consideramos uma referência obrigatória para as companhias e para o universo de RI. Para saber mais sobre ele, clique aqui e acesse a página do Estudo. Qualquer dúvida, já sabem, estamos por aqui, sempre à disposição! 😉
Equipe Comunicação Externa & Pesquisa MZ
Cássio Rufino
CFO & COO
Assessoria de Imprensa
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Sobre a MZ
A MZ (www.mzgroup.com.br) é o maior player global independente e o líder em soluções de relações com investidores (RI).
A Companhia, fundada em 1999, ultrapassou a marca de 2.000 websites publicados, servindo atualmente mais de 800 empresas e gestoras de investimento em 12 bolsas de valores.
Com o propósito de empoderar estratégias de RI, a MZ entrega tecnologias inovadoras e atendimento excepcional aos clientes, assegurando parcerias de longo prazo.